segunda-feira, 27 de maio de 2013

"A minha Bisa (bisavó) adormeceu e nunca mais acordou para nós"



A minha bisavó paterna Margarida (a bivó Guida) fez 104 anos(SIM 104 ANOS) este ano no dia 17 de Maio e até estava bem, mas nesta quarta-feira (no dia 22)  almoçou e foi fazer a sua sesta e não acordou mais ...
Já toda a gente sabia que ela não podia viver para sempre mas também não se está à espera da morte, ficamos sempre chocados!
A Morte chegou e levou a bivó Guida tranquilamente (uma mulher que passou pela 1ª e  2ª Guerras Mundiais, que viu muitas mudanças no mundo e que sempre se manteve moderna e espantosamente saudável e sem rugas, e nunca fez uma cirurgia plastica.)
Espero herdar os bons genes da bivó Guida!
Adeus querida bivó!
Vou ter muitas saudades tuas Guidinha!!! 
Olha por nós!

Sofy*

domingo, 26 de maio de 2013

Nascer surda ou ficar surda e a escrita...


Nascer surda ou ter ficado surda  é completamente diferente e  a nossa capacidade (aptidão) de aprender o português escrito também é diferente.
Uma criança, que já ouviu e ficou surda  já possui um vocabulário muito vasto (grande) e então se ficar surdo em adulto, já domina completamente o português escrito enquanto uma criança que tenha nascido surda, possui um vocabulário significativamente bem menor e ,com certeza, vai  influenciar a sua escrita (o português escrito) e a compreensão dos textos e por isso as pessoas que nascem surdas deveriam ter um ensino diferente de português escrito.

As pessoas surdas  não são todas iguais , tal como as ouvintes não são todas iguais. O ter nascido surda ou ter ficado surda, o grau de surdez, a família a que pertence, a inteligência,etc, tudo isto faz com que as pessoas surdas sejam todas diferentes. O seu desenvolvimento e sucesso depende dos professores que lhes aparecem pela frente e da forma como os ensinam mas as próprias pessoas surdas também deviam lutar e querer mais e não se contentarem com as migalhas (restos) que lhes dão, não somos nem superdotados e nem atrasados mentais, somos pessoas iguais aos outros mas precisamos de formas diferentes de aprender e que exijam de nós, que nos preparem para a vida, que nos ensinem português, e não nos deixem chegar aos 20 anos sem perceber aquilo que lemos, nem saber escrever correctamente!
Eu nasci surda profunda(profundíssima), ainda dou alguns erros e o meu vocabulário é um bocadinho pobre mas graças a Deus, tenho uma mãe que me ajuda e se dedicou a mim, desde que soube que eu era surda, e como nunca concordou com os métodos de ensino das escolas, ela própria me ensinou à sua maneira e por isso só lhe tenho que agradecer!!!

A mim aflige-me muito as pessoas surdas que saem do 9º ano e até mesmo 12º ano, e dão erros gravíssimos de português e não se preocupam em melhorar porque dizem que as pessoas surdas escrevem assim, escrevem muitas vezes como fazem LGP, mas estas línguas  são línguas completamente diferentes.
Penso que o ensino da Língua Portuguesa para surdos deveria ser diferente dos ouvintes, deveriam ensinar muito mais a ler e a escrever, do que darem obras como os "Maias", eu pessoalmente nem perdi tempo a ler esta obra ,li um resumo e pronto.
As pessoas surdas também deveriam lutar mais e perceberem que não saber português, não conseguirem transmitir as suas ideias por escrito os prejudica profundamente na sua vida.

Sofy*

domingo, 12 de maio de 2013

Sobrevivi à semana da Queima das Fitas!!! UFAAA

De facto várias foram as provas pelas quais passei esta semana.
Nesta confusão de sons, o nosso Super-poder da Leitura Labial dá imenso jeito.
A leitura labial foi fundamental, com tanta gente a falar (aos gritos) e ao mesmo tempo, torna-se muito difícil acompanhar e perceber o que as pessoas dizem.
Por outro lado com tanta agitação, decidi algumas vezes não levar o IC (Implante Coclear), com medo de levar um encontrão e perdê-lo ou estragá-lo no meio daquela multidão mas depois preferi arriscar a não poder ouvir tão bem a música e as vozes.

AH! e o dia do "Cortejo"!!!
Havia logo de chover, tive medo que a prótese auditiva e o IC se estragassem mas felizmente tinha um boné que me protegeu da chuva! :DDD
Foi um dia muito desgastante, o cortejo demorou imenso tempo, e os meus joelhos ficaram cheias de nódoas negras, por causa de termos que estar de gatas, enfim "Vida de Caloira".
Vida que já acabou!!!


Depois foram as festas e concertos no Queimódromo, uma semana inteira de música, dança, conhecer gente e copos ihihih... Nunca me senti tão feliz e tão integrada.



Acabada que está a semana da queima segue-se agora estudar, estudar, estudar...
Eh eh ia-me esquecendo de vos contar uma coisa, agora vou experimentar a tuna, o que lá poderei fazer? Ainda não sei mas logo se verá!!! :)


Sofy*

Ainda o Marlon Correia! :´(

Todos os anos acontece algo trágico na Queima das Fitas, um pouco por todo o País.
O assassinato do Marlon foi uma coisa estúpida e violenta e mostra os animais que andam à solta e para os quais não temos como nos defender!
Penso que no dia que o Marlon morreu se deveria ter encerrado o Queimódromo para as pessoas reflectirem e mostrarem respeito pela sua morte, independemente de o conhecermos ou não.
Eu, sinceramente, não conhecia o Marlon mas tenho um irmão da mesmo idade do Marlon que poderia estar no lugar dele e por isso penso que a FAP (Federação Académica do Porto)deveria ter cancelado a festa desse dia.


Descansa em paz, Marlon.

Sofy*

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Eu e a Praxe :)


Quando decidi entrar para a praxe da minha faculdade, os meus pais e o meu irmão disseram-me: "Aquilo é uma perda de tempo!"
Alguns amigos surdos disseram-me: "És maluca???, aquilo é só gritar e humilhações e discriminações"
Fiquei indecisa e preocupada e pensei muito sobre se devia participar ou não, mas decidi arriscar e fazer parte da praxe, que mal me poderia acontecer?
Se não gostasse podia sempre desistir.
Decidi então entrar para a praxe.
Senti que entrar para a praxe era fazer parte, era me sentir igual aos outros, era estar unida a um grupo por uma causa "A NOSSA ESCOLA"
Tudo aquilo me fascinou e na recepção ao caloiro, fui muito bem tratada pela Comissão da praxe, que desde logo tratou de avisar os doutores que eu era surda, e que portanto não conseguia muitas vezes perceber o que diziam e que também fazia leitura labial e por isso tinha que olhar de frente as pessoas.
E pronto lá me transformei em caloira e já quase passaram 8 meses (embora eu nao tenha ido todas as vezes pelo facto de ter terapia da fala e ballet)e amanhã, depois do cortejo deixarei de ser caloira
Sou uma caloira anónima; embora fosse a única caloira que não olha para o chão!!! ahahah
Ser surda também tem os seus beneficios :$
E admito que vou ter imensas saudades de ser caloira...

Sofy*

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Maio é o mês das flores, das mães e do trabalhador...



Os campos ficam mais verdes, e cheios do canto dos pássaros.
O sol brilha e o mar chama por mim, os dias são mais longos e dá vontade de abrir as janelas da nossa casa e deixar o sol e a brisa entrar.
Apetece Pic-Nic´s, passeios de bicicleta, surfar e passear à beira mar.
É a Primavera e apetece fazer festa, ir para o jardim, receber os amigos.
E também o mês dos aniversários,do dia da mãe, do aniversário da minha mãe (a mami é uma grande mulher, é extraordinária e a ela devo o que sou hoje, é uma das grandes peças que me completam) e da minha bisavó, que faz 104 anos e está fantástica.
O dia 1 de Maio, é o dia de Trabalhador e que nos nossos dias tem um significado muito importante, uma vez que existe cada vez menos trabalhadores. E nós, pessoas surdas ainda temos menos oportunidades de emprego que os outros.
Já começa a cheirar a Verão e vem aí a "Queima das Fitas" divirtam-se e SEJAM FELIZES!

Sofy*

terça-feira, 16 de abril de 2013

O porquê deste blog ...

Decidi fazer este blog, para desabafar e me ajudar a compreender os problemas da vida,  para ocupar os meus tempos livres, para falar das minhas experiências e conquistas de vida, enquanto pessoa surda, dar dicas sobre inúmeros temas que me interessam.
Queria mostrar as situações pelas quais passo, e mostrar às pessoas surdas que os seus problemas não são únicos e que sofrem dos mesmos problemas que eu e tantos outros. Quero também dizer às pessoas ouvintes para que elas nos vejam como nós somos e para se tornarem mais sensíveis e amigáveis, para nos darem oportunidades reais e não abanem com a cabeça como quem percebe tudo e afinal não percebem nada.
Espero que este blog seja útil para ajudar a esclarecer os problemas das pessoas surdas como pessoas únicas e que seja um sitio de troca de ideias e de partilha. 

Sofy*